Afinal, para que serve o diagnóstico?

 

A rigor, o diagnóstico tem como função organizar sintomas e sinais e imprimir uma direção ao tratamento. Assim, é possível pensar em possíveis intervenções que deram certo em casos parecidos, e por fim, ajudar aquela pessoa em sofrimento a viver sua vida de maneira mais plena.

 

Contudo, se usado de maneira isolada, corre-se o risco de olhar a criança de modo fragmentado, sem considerar aquelas características que são só dela, suas dificuldades próprias, mas também suas potencialidades. Essa visão reducionista focada no diagnóstico pode levar a elaboração de “pacotes fechados” de atendimento que poderiam ajudar igualmente todas as crianças. Sabemos o quanto as crianças são diferentes e ajudar cada uma delas implica a necessidade de se abrir para conhecê-la para além dos rótulos diagnósticos.

 

E por falar em rótulos, está aí a pior consequência de um diagnóstico fechado ou feito de modo apressado. Aquela criança passar a ser aquilo que o nome que lhe foi atribuído é. Como disse um pai de uma criança que estava em avaliação por uma suspeita de TEA: “ a própria criança passa a pensar que ele mesmo tem, porque os parentes vão comentar, os amigos vão comentar e, às vezes, não é nem isso que ele tem”.

 

E se for esse mesmo o diagnóstico da criança, convém lembrar que isso representa uma dificuldade que vai precisar ser tratada, porém não tira da criança suas outras características, similares às de todas as outras crianças: o direito de estudar, o interesse por brincar, a possibilidade de viver a vida em seus diversos espaços...

Assim, se depois de uma avaliação cuidadosa, criteriosa, envolvendo diversos profissionais e visões, for entendido que aquela criança está dentro do espectro autista, é hora de continuar o tratamento que muitas vezes já está em andamento. E sempre vale a máxima de que cada caso é um caso, afinal de contas, cada criança é uma criança.

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