Sintomas da Dislexia

 

 

Provavelmente, se você entrou neste site está passando por alguma dificuldade de leitura e escrita? Ou talvez uma pessoa próxima de você esteja com estas dificuldades.

Então vamos lá! Primeiro você tem que saber que este é um assunto que gera muita discussão e opiniões diferentes entre profissionais.
Porque ler e escrever é também um processo cerebral, mas não apenas. O funcionamento cerebral não está dado, ele muda com aprendizagem. Então, muitos profissionais acreditam que a dislexia é uma questão biológica pura, e outros dizem que depende do contexto de aprendizagem.

 

Por isso, os sintomas que conhecemos como sendo da dislexia pode aparecer também em pessoas não disléxicas, daí a confusão. Pois bem,  mas vamos ao que interessa, aos "sintomas" de dislexia,  a partir da ABCDislexia.com.br . Farei alguns comentários sobre eles.

Fase escolar 

Na leitura:

 

1. Predomínio da rota fonológica na leitura - quer dizer, a criança passa o tempo inteiro da leitura decifrando as letras, e não compreende o que leu.  

Comentário: quando a criança está aprendendo a ler é esperado que a criança use esta rota. Ter 7, 8, 9 anos, estar na 3ª, 4ª ou 5ª série não garante e não significa que a criança deva estar naturalmente alfabetizada. Se ela não está, o problema pode  não estar somente nela, por isso é necessária uma análise do contexto social, familiar, pedagógico, da história do processo de escolarização desta criança. De fato, ela precisa de ajuda.

 

2.  Falta de estratégia para ler palavras novas - 

Comentário: este sintoma é decorrente do anterior, se a criança ainda não completou o processo de alfabetização, é esperado que tenha dificuldades para ler palavras que nunca viu. Mas por isso terá um distúrbio permanente? Por ter um jeito diferente de aprender será disléxica pelo resto da vida? Não sabemos, e uma investigação mais profunda se faz necessária.

 

3- Trocas (visuais e auditivas), substituições, omissões de palavras - 

Comentário: Uma autora importante dos processos de alfabetização, pioneira no assunto, chamada Emília Ferreiro, há muito provou que estes tipos de "erros" na verdade não são erros, mas fazem parte das hipóteses de leitura e escrita levantadas pelas crianças enquanto aprendem. Portanto, necessária avaliação de um profissional para fazer as intervenções corretas.

4- Não faz autocorreção -  

Comentário: Imagine uma criança que está na 2ª, 3ª ou 4ª série e  não tem sua leitura e escrita fluente. Se ninguém ensinar a criança da maneira personalizada, ela não saberá como  fazer autocorreção. Se a atividade  não é interessante para a criança, ela também não fará autocorreção. Afirmar simplesmente "não faz autocorreção" é muito vago. 

5- Não está automatizada, é entrecortada

Comentário: sintoma decorrente da alfabetização não completa.

6- Esforço para a leitura da palavra isolada e principalmente de pseudopalavras (palavras inventadas) -

Comentário: o ser humano desenvolveu a linguagem com finalidades sociais, e a criança sabe disso. Isolar a finalidade da linguagem para dificultar e testar a criança (sendo que já sabemos que ela está com dificuldade) é artificial e pode não avaliar a capacidade comunicativa real da criança.

 

7- Não é fluente, sem entonação, não percebe modulações 

Comentário: sintoma decorrente da não alfabetização completa.

 

8- Apresenta vocalizações em leitura silenciosa

Comentário: sintoma decorrente da não alfabetização completa.

 

9- Pouca compreensão

Comentário: sintoma decorrente da não alfabetização completa.

 

10- Evita ler 

Comentário: Aos poucos, a criança começa a se comparar com os demais colegas e percebe sua dificuldade. Diante disso, se afasta cada vez mais de atividade de leitura, algo fundamental para seu desenvolvimento linguístico. Daí a necessidade de um profissional que possa auxiliar neste momento crítico.

 

11- Não desenvolve hábito de leitura

Comentário: Aqui faço o mesmo comentário anterior. A criança começa a se comparar com os demais colegas,  percebe sua dificuldade e não sente prazer na leitura, portanto não terá o hábito de ler. 

 

12-  Medo acentuado de ler em voz alta 

Comentário: Com o passar do tempo e com a dificuldade se mantendo, a criança vai percebendo sua dificuldade e começa a ter medo de ser julgada e avaliada em leitura em voz alta.

 

13- Cansaço e desânimo quando lê

Comentário: Sem encontrar estratégia ou solução que a ajude a aprender a ler, a criança vai se cansando cada vez mais, vai ficando desanimada. Mas isso não quer dizer necessariamente que ela tenha dislexia.

 

14- Compreende quando leem para eles 

Comentário: Este sintoma demonstra o quanto a inteligência e o raciocínio da criança está preservado, e portanto, ela tem todas as possibilidades de aprender também a ler, desde que aprenda a utilizar estratégias específicas, desde que seja compreendidos os fatores que trouxeram as dificuldades (individuais, sociais e pedagógicos).

 

Vejam, todos os chamados "sintomas" acima são características de quem ainda não foi completamente alfabetizado. Na minha experiência com crianças, vejo que quanto mais tarde se percebe a dificuldade encontrada pela criança no processo de alfabetização, mais ela irá relutar em ler, mais cansativo será o processo.

 

Mas, não é por isso que ela tem um distúrbio! Pode ser um modo diferente de aprender que não pôde ser contemplado na escola. O rótulo pode trazer prejuízos grandes para a vida da pessoa diagnosticada, que passa a não acreditar em suas capacidades e se afasta da possibilidade de aprender.

 

Então, compreender a dificuldade, o processo, a história, e agir neste contexto possibilita encontrar estratégias de aprendizagem.

 A relação professor-aluno é muito importante para aprendizagem, por isso é fundamental que o trabalho de psicoterapia esteja conectado com a escola. 

 

 

 

 

 

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